Vapor

Estação redutora de pressão de vapor com dessuperaquecedor

A estação redutora conserva a entalpia: o estado do vapor depois da redução sai da IAPWS-IF97 com h₂ = h₁. A calculadora soma a esse estado a triagem de escoamento crítico, a água do dessuperaquecedor por balanço de massa e energia, os diâmetros mínimos de montante e jusante pelo limite de velocidade e a pressão que chega ao consumidor.

Quando usar

Use ao projetar ou verificar uma estação que reduz vapor de uma pressão de geração ou distribuição para a pressão de um consumidor, com ou sem dessuperaquecedor depois da redutora. A calculadora entrega o estado do vapor depois da redução (superaquecimento ou título), indica se a razão P₂/P₁ cai na faixa de escoamento crítico, calcula a vazão de água de injeção para levar o vapor à temperatura alvo, dá o diâmetro interno mínimo das linhas de montante e jusante e marcha a linha de jusante até o consumidor (atrito, acessórios e perda térmica) para comparar a pressão de chegada com a requerida. A válvula redutora em si — Kv requerido e confirmação do escoamento crítico pela IEC 60534-2-1 — é verificada na calculadora de válvula de controle de vapor, que recebe o card da redutora. A válvula de segurança de proteção a jusante é dimensionada na calculadora de válvula de segurança. O limite de aplicação desta versão é 100 bar(a) na entrada.

O que a calculadora faz

A estação redutora é tratada em quatro etapas encadeadas. Primeiro, a redução isentálpica: com h₂ = h₁, a IAPWS-IF97 dá o estado na pressão reduzida — superaquecimento ou título. Segundo, a triagem de escoamento crítico: a razão P₂/P₁ é comparada com duas razões críticas calculadas para o vapor de entrada, uma pelo gás ideal com o κ real (sem condensação) e outra pela expansão isentrópica de equilíbrio da IF97 (com condensação). Terceiro, o dessuperaquecedor opcional: um balanço de massa e energia dá a água de injeção para levar o vapor à temperatura alvo, acima da saturação pela aproximação mínima do fabricante. Quarto, as linhas: diâmetro interno mínimo a montante e a jusante pelo limite de velocidade, e a linha de jusante marchada até o consumidor com atrito, acessórios e perda térmica.

O que fica fora

A calculadora não dimensiona a válvula redutora nem confirma o escoamento crítico: o card da redutora (vazão, P₁, P₂ e estado do vapor) vai para a calculadora de válvula de controle de vapor, onde a IEC 60534-2-1 decide. O dessuperaquecedor é verificado só termodinamicamente — atomização, comprimento de evaporação, perda de pressão própria, faixa do bico e carga mínima ficam com o fabricante. A proteção a jusante aparece como aviso; a válvula de segurança é dimensionada na calculadora própria.

Fórmulas e fundamentos

Redução isentálpica h₂ = h₁ → T₂ = T(P₂, h₁) (IAPWS-IF97)

A válvula redutora conserva a entalpia específica h [kJ/kg]. O estado a jusante na pressão P₂ é obtido pela IAPWS-IF97 a partir de (P₂, h₁): vapor saturado ou pouco úmido sai superaquecido; vapor que entra úmido, ou vapor seco acima de cerca de 30 bar(a) — onde a entalpia do vapor saturado seco é máxima —, pode sair úmido.

Razão crítica — gás ideal com κ real (sem condensação) r_g = (2/(κ+1))^(κ/(κ−1)), κ = w²·ρ/p (em P₁)

Primeiro modelo da triagem de escoamento crítico. κ = expoente isentrópico real do vapor na entrada, calculado pela IF97 a partir da velocidade do som w [m/s], da densidade ρ [kg/m³] e da pressão absoluta p [Pa]. Representa uma expansão sem condensação.

Razão crítica — expansão isentrópica de equilíbrio (com condensação) r_e = P/P₁ que maximiza G = ρ(P, s₁)·√(2·(h₁ − h(P, s₁)))

Segundo modelo: a razão que maximiza o fluxo mássico G [kg/(m²·s)] numa expansão isentrópica de equilíbrio pela IF97, admitindo condensação. Se P₂/P₁ fica abaixo das duas razões, os dois modelos indicam escoamento crítico; entre elas, é possível e depende do modelo. É triagem genérica: a confirmação depende da válvula (IEC 60534-2-1, xT ou xTP).

Água de injeção do dessuperaquecedor ṁ_v·h_v + ṁ_a·h_a = (ṁ_v + ṁ_a)·h_alvo → ṁ_a = ṁ_v·(h_v − h_alvo)/(h_alvo − h_a)

Balanço de massa e energia. ṁ_v = vazão de vapor [kg/h]; h_v = entalpia do vapor depois da redutora (igual à de entrada); ṁ_a = vazão de água [kg/h]; h_a = entalpia da água na sua pressão e temperatura; h_alvo = entalpia do vapor na pressão reduzida e na temperatura alvo. A água evaporada soma vazão: a linha de jusante leva ṁ_v + ṁ_a.

Aproximação da saturação ΔT_ap = T_alvo − T_sat(P₂) ≥ ΔT_ap,min (fabricante)

A temperatura alvo tem de ficar acima da saturação na pressão de trabalho. ΔT_ap,min é a aproximação mínima garantida pelo fabricante do dessuperaquecedor; sem esse dado, a calculadora só exige que o alvo esteja acima da saturação e emite aviso.

Diâmetro interno mínimo pelo limite de velocidade D_min = √(4·ṁ·v / (π·V_lim))

ṁ = vazão mássica [kg/s]; v = volume específico [m³/kg] do vapor de cada lado da estação; V_lim = limite de velocidade de projeto [m/s]. A jusante, com a linha informada, a velocidade julgada é a máxima ao longo da linha, porque a pressão cai e o vapor acelera até o consumidor.

Normas e métodos

  • IAPWS R7-97(2012) — IAPWS-IF97, propriedades termodinâmicas da água e do vapor
  • IAPWS R12-08 / R15-11 — viscosidade e condutividade térmica da água
  • ISO 12241:1998 — perda térmica da linha de jusante isolada (a LOGOS implementa a edição de 1998)
  • IEC 60534-2-1 — verificação definitiva do escoamento crítico e do Kv, feita na calculadora de válvula de controle de vapor
  • NR-13 — referência de documentação; a LOGOS não faz enquadramento legal nem substitui o código de construção aplicável

Valores típicos de referência

Grandeza Faixa típica Observação
Limite de velocidade padrão (D124) 40 m/s saturado/úmido · 70 m/s superaquecido Critério de projeto da LOGOS, ajustável a montante e a jusante. O vapor conta como superaquecido para essa escolha quando está ao menos 1 K acima da saturação.
Entalpia máxima do vapor saturado seco perto de 30 bar(a) Acima dessa pressão, até vapor seco sai úmido ao ser reduzido; abaixo, só continua úmido o vapor que já entrou úmido.
Título mínimo na linha de jusante ≥ 0,95 declarado · 0,80–0,95 indicativo · < 0,80 não avaliado Domínio do modelo bifásico homogêneo — critério da LOGOS, não limite normativo.
Rugosidade padrão da linha de jusante (D123) 0,045 mm Aço comercial; para linhas existentes, definir pela condição da tubulação ou calibrar com dados de campo.
Limite de aplicação do produto (D225) até 100 bar(a) na entrada Limite desta versão da calculadora, não da IF97. A água de injeção tem de ser líquida na sua pressão e abaixo da pressão crítica.

Exemplo resolvido

Redução de 20 bar(g)/300 °C para 3 bar(g), 5.000 kg/h, com dessuperaquecedor a 150 °C

Entradas

Pressão / temperatura de entrada
20 / 300 bar(g) / °C
Vazão de vapor
5.000 kg/h
Pressão reduzida (P₂)
3 bar(g)
Temperatura alvo / aproximação mínima do fabricante
150 / 5 °C / K
Água de injeção (temperatura / pressão)
105 / 8 °C / bar(g)
Linha de montante (Di)
77,92 mm
Linha de jusante (Di × L, 4 cotovelos 90° + 1 válvula gaveta)
154,05 × 60 mm × m
Isolamento da jusante (espessura, λ, alumínio oxidado, interior, 20 °C)
50 / 0,05 mm / W/m·K
Pressão requerida no consumidor / margem de projeto
2,8 / 0,1 bar(g) / bar

Resultados

Vapor de entrada (T_sat / superaquecimento)
214,9 / 85,1 °C / K
Depois da redutora (T / superaquecimento)
277,7 / 134,0 °C / K
Razão P₂/P₁ (crítica: gás ideal / equilíbrio IF97)
0,191 (0,547 / 0,546) — os dois modelos indicam escoamento crítico
Água de injeção
581,1 kg/h
Vapor na saída (vazão · temperatura · aproximação)
5.581 · 150,0 · 6,3 kg/h · °C · K
Redutora — vapor em P₁ (ρ₁ / κ₁)
8,396 / 1,294 kg/m³ / —
Montante — Di mínimo / velocidade / limite
54,9 / 34,7 / 70 mm / m/s / m/s — atende
Jusante — Di mínimo / velocidade máxima / limite
115,0 / 40,6 / 70 mm / m/s / m/s — atende
Pressão no consumidor (ΔP da linha)
2,835 (0,165) bar(g) (bar)
Veredito de pressão (margem disponível / exigida)
atende sem margem de projeto (0,035 / 0,100) bar

A redução de 20 para 3 bar(g) conserva a entalpia, então o vapor que entra 85,1 K superaquecido sai a 277,7 °C, 134,0 K acima da saturação de 143,7 °C. A razão P₂/P₁ = 0,191 fica bem abaixo das duas razões críticas (0,547 e 0,546): os dois modelos indicam escoamento crítico, e a confirmação e o Kv ficam com a calculadora de válvula de controle, pela IEC 60534-2-1 — aqui vale avaliar redução em dois estágios. Para levar o vapor a 150 °C o dessuperaquecedor injeta 581,1 kg/h de água a 105 °C; a saída fica 6,3 K acima da saturação, acima dos 5 K mínimos informados. Essa viabilidade é só termodinâmica: atomização, comprimento de evaporação, perda de pressão do dessuperaquecedor e faixa do bico ficam com o fabricante. A linha de jusante leva 5.581 kg/h e pede ao menos 115,0 mm de diâmetro interno; com 154,05 mm a velocidade máxima é 40,6 m/s, dentro do limite de 70 m/s. O consumidor recebe 2,835 bar(g): atende os 2,8 bar(g) requeridos, mas a folga de 0,035 bar não cobre a margem de projeto de 0,1 bar — o veredito é 'atende sem margem de projeto'. A calculadora também lembra a proteção a jusante: se a jusante não for projetada para 20 bar(g), a válvula de segurança tem de passar a vazão da redutora totalmente aberta.

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Erros comuns

  • Informar pressões absolutas no lugar de manométricas. Entrada, saída e água de injeção são em bar(g), como lidas no manômetro; a pressão atmosférica local é um campo à parte.
  • Dimensionar a linha de jusante com a vazão de vapor de entrada. A água evaporada no dessuperaquecedor soma vazão, e o volume específico cresce com a redução: a jusante quase sempre precisa de diâmetro maior que a montante.
  • Levar o alvo do dessuperaquecedor até a saturação ou ignorar a aproximação mínima do fabricante. Não é possível dessuperaquecer até a saturação: a água não evapora e sai como condensado.
  • Água de injeção sem pressão suficiente. Ela tem de superar a pressão do vapor no ponto de injeção, com folga para atomizar; caso contrário, a calculadora marca o dessuperaquecedor como inviável.
  • Tratar a razão crítica da estação como verificação da válvula. A faixa entre gás ideal e equilíbrio IF97 é triagem; o escoamento crítico se confirma pela IEC 60534-2-1 (xT, ou xTP com redutores) na válvula escolhida. Em escoamento crítico, ruído e velocidade de saída costumam ser altos — considere redução em dois estágios.
  • Pôr separador e purgador só a montante. Quando a redução deixa o vapor úmido, a umidade está na saída: o separador e o purgador vão a jusante da redutora (e também a montante, se a entrada for úmida).
  • Esquecer a proteção a jusante. Se a tubulação e os equipamentos a jusante não forem projetados para a pressão de montante, é necessária válvula de segurança dimensionada para a vazão da redutora totalmente aberta (falha aberta).

Perguntas frequentes

Por que o vapor sai superaquecido depois de uma redutora?

Porque a redução é isentálpica: a entalpia fica igual e a pressão cai. Na pressão menor a saturação é mais baixa, e a mesma entalpia corresponde a vapor superaquecido. No exemplo, 20 bar(g)/300 °C reduzido a 3 bar(g) sai a 277,7 °C, 134,0 K acima da saturação.

A redução de pressão sempre seca o vapor?

Não. A entalpia do vapor saturado seco é máxima perto de 30 bar(a). Abaixo disso, vapor saturado seco sai superaquecido e só continua úmido o vapor que já entrou úmido; acima disso, até vapor seco pode sair úmido. A umidade fica na saída, então separador e purgador vão a jusante da redutora.

A calculadora confirma escoamento crítico na válvula?

Não. Ela faz uma triagem com dois modelos genéricos para o estado de entrada — gás ideal com o κ real (sem condensação) e expansão isentrópica de equilíbrio da IF97 (com condensação) — e informa se os dois indicam crítico, se é possível ou se nenhum indica. A verificação definitiva depende da válvula e é feita pela IEC 60534-2-1 (xT, ou xTP com redutores) na calculadora de válvula de controle de vapor.

O que significa 'dessuperaquecedor viável'?

Que o balanço de massa e energia fecha e que o estado final existe acima da saturação, respeitando a aproximação mínima informada e com a água em pressão acima da do vapor. O equipamento não é verificado: diferencial mínimo de pressão para atomização, comprimento de tubo reto para evaporação completa, perda de pressão do dessuperaquecedor, faixa de controle do bico e capacidade na carga mínima dependem do tipo e do fabricante.

Como a pressão no consumidor é avaliada?

A linha de jusante é marchada até o consumidor com o mesmo modelo da linha de vapor: atrito por Darcy-Weisbach com Colebrook, perdas localizadas dos acessórios e perda térmica do isolamento pela ISO 12241. A pressão de chegada P é comparada com a requerida P_req e a margem M_P: atende com margem se P ≥ P_req + M_P, atende sem margem de projeto se P_req ≤ P < P_req + M_P, não atende se P < P_req. Se a pressão se esgota na linha, o veredito é 'não atende'; se o título cai abaixo de 0,80, 'não avaliado'.

A calculadora dimensiona a válvula de segurança a jusante?

Não. Ela emite um aviso informativo: se a tubulação e os equipamentos a jusante não forem projetados para a pressão de montante, é necessária válvula de segurança dimensionada para a vazão da redutora totalmente aberta (falha aberta), conforme o código aplicável e o fabricante. O dimensionamento é feito na calculadora de válvula de segurança para vapor.

Glossário

Estação redutora
Conjunto que reduz a pressão do vapor para a de um consumidor ou rede de menor pressão; nesta calculadora, a válvula redutora, o dessuperaquecedor opcional e as linhas de montante e jusante.
Redução isentálpica
Expansão através da válvula sem troca de calor nem trabalho, em que a entalpia específica se conserva (h₂ = h₁).
Razão crítica de pressões
Razão P₂/P₁ (absolutas) abaixo da qual a vazão deixa de depender da pressão a jusante. A calculadora a estima como faixa entre o gás ideal com κ real e a expansão isentrópica de equilíbrio da IF97.
Dessuperaquecedor
Equipamento que injeta água no vapor superaquecido; a água evapora e resfria o vapor até a temperatura alvo, acima da saturação.
Aproximação da saturação
Diferença entre a temperatura alvo e a temperatura de saturação na pressão de trabalho; tem de ser ao menos a mínima garantida pelo fabricante.
Di mínimo
Menor diâmetro interno que mantém a velocidade dentro do limite de projeto, com a vazão e o volume específico de cada lado da estação.
Proteção a jusante
Válvula de segurança exigida quando a jusante não é projetada para a pressão de montante, dimensionada para a vazão da redutora totalmente aberta (falha aberta).