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Dimensionamento de rede Ethernet-APL

Numa rede Ethernet-APL com field switches alimentados localmente, o que se dimensiona é cada spur — comprimento pela categoria do cabo, compatibilidade entre as classes de potência da porta e do dispositivo e a tensão que chega ao dispositivo com o cabo quente —, as portas e o consumo de cada field switch e a carga cíclica de rede. Esta página mostra as contas e os limites do Ethernet-APL Engineering Guideline.

Quando usar

Ao projetar a rede de instrumentos PROFINET, EtherNet/IP ou HART-IP sobre Ethernet-APL, ao escolher o cabo dos spurs, ao dimensionar a fonte auxiliar dos armários de field switches e ao preparar o documento descritivo 2-WISE de uma instalação em área classificada.

O que se dimensiona numa rede Ethernet-APL

Na estrutura que o mercado vende hoje, a rede de controle chega em Ethernet industrial — cobre ou fibra — até field switches instalados em armário ou caixa de junção, alimentados por uma fonte local. De cada field switch sai um spur APL por dispositivo — medidor de vazão, transmissor de pressão diferencial ou medidor de nível por radar: um único par que leva dados a 10 Mbit/s e energia, a mesma ideia a dois fios de um segmento PROFIBUS PA, mas com Ethernet até o instrumento. O dimensionamento tem três partes: os spurs, os field switches e a carga de rede.

O spur: comprimento, classe e tensão

O comprimento máximo depende da categoria do cabo — até 200 m em cabo novo tipo A. Mas o spur também tem de entregar energia: a porta garante uma tensão mínima com a corrente máxima da classe, o cabo derruba I × R, e no dispositivo tem de sobrar a tensão mínima de operação. Na classe A essa folga é de apenas 0,6 V; com 55,56 mA, cabem cerca de 10,6 Ω de laço. É por isso que, com cabo fino e quente, o limite do spur é a tensão, e não os 200 m.

A classe de potência da porta tem de ser compatível com a do dispositivo: porta C alimenta dispositivos A e C, porta A só alimenta dispositivos A.

O field switch: portas e alimentação

Cada field switch tem um número fixo de portas, e vale deixar reserva. O consumo na fonte auxiliar é uma parcela fixa mais uma parcela por porta usada, maior nas portas classe C. Somar os switches de um armário dá a potência da fonte de 24 V; o alimentador que sai dessa fonte é um problema de dimensionamento de cabos CC por si só, e uma fonte que precisa se manter durante quedas de energia é sustentada por um banco de baterias. Do lado da sala de controle, os switches de Ethernet industrial e os distribuidores ópticos que alimentam os field switches vão para um rack 19”.

Área classificada

Com o 2-WISE, o spur é intrinsecamente seguro sem cálculo de parâmetros de entidade, desde que fonte, carga e auxiliares sejam 2-WISE e o cabo esteja dentro das faixas de resistência, indutância e capacitância. O nível de proteção do segmento é o da porta menos rigorosa, e a documentação exigida é um documento descritivo — o guideline traz um modelo na Tabela 10-1.

O que esta ferramenta não cobre

O trunk APL alimentado, em que o próprio trunk leva energia aos field switches, fica de fora: o Engineering Guideline v1.14 declara que não há esquema de cálculo publicado para ele e remete ao fabricante.

Fórmulas e fundamentos

Tensão no dispositivo U = U_PS(mín) − I_classe × R_laço,20 × [1 + α20 (θ − 20)] × L ≥ U_PL(mín)

A porta-fonte garante U_PS(mín) com a corrente máxima da classe da carga; o cabo derruba I × R e no dispositivo tem de sobrar U_PL(mín). α20 = 3,93×10⁻³/K, θ é a temperatura máxima do cabo.

Spur máximo pela tensão L_máx = [U_PS(mín) − U_PL(mín)] / [I_classe × R_laço(θ)]

O comprimento em que a folga zera. O spur máximo final é o menor entre este valor e o limite da categoria do cabo (50 a 200 m).

Consumo do field switch P = P_fixa + P_porta × n_portas usadas

Potência na fonte auxiliar. Nas fichas dos rail field switches FieldConnex, a parcela fixa fica perto de 10 W e cada porta classe A usada custa cerca de 1 W.

Carga de rede carga = n × (payload + 42 bytes) × 8 / (ciclo × taxa)

Eq. 10-1/10-6 do guideline. Com o payload mínimo de 46 bytes, cada quadro tem 88 bytes. Abaixo de 20 %, nada a fazer; de 20 a 50 %, verificar; acima de 50 %, reduzir.

Normas e métodos

  • Ethernet-APL Engineering Guideline v1.14 (FieldComm Group, ODVA, OPC Foundation, PI)
  • Ethernet-APL Port Profile Specification — classes de potência
  • IEEE 802.3cg (10BASE-T1L)
  • IEC TS 60079-47 — 2-WISE
  • IEC 60228 — resistência de condutores

Valores típicos de referência

Grandeza Faixa típica Observação
Classe A — U_PS(mín) / I / U_PL(mín) 9,6 V / 55,56 mA / 9,0 V —
Classe C — U_PS(mín) / I / U_PL(mín) 11,61 V / 95 mA / 10,6 V —
Fonte → carga permitidas A → A · C → A e C —
Spur máximo por categoria de cabo I 50 m · II 100 m · III 150 m · IV 200 m —
Auxiliares / inserções no spur até 2 / até 4 —
Cabo 2-WISE laço 15–150 Ω/km · 0,4–1 mH/km · 45–200 nF/km spur de até 200 m, até 2 auxiliares
Cabo fieldbus tipo A (0,8 mm²) laço ≈ 44 Ω/km datasheet de fabricante

Exemplo resolvido

Spur longo em cabo fino

Entradas

Cabo
0,75 mm² (IEC 60228)
Temperatura máxima do cabo
55 °C
Porta e dispositivo
classe A —
Spur
200 m

Resultados

Resistência de laço a 55 °C
11,15 Ω
Tensão no dispositivo
8,98 V (mínimo 9,0 V)
Spur máximo com 0,75 mm²
194 m
Seção que atende
1 mm²

O spur de 200 m está dentro do limite da categoria IV, mas a tensão não fecha: chegam 8,98 V para um mínimo de 9,0 V. Há três saídas: encurtar para no máximo 193,7 m, subir para 1,0 mm² (os 200 m passam a entregar 9,14 V) ou usar um cabo cuja resistência de laço real, no datasheet, seja menor que o máximo da IEC 60228.

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Erros comuns

  • Olhar só o comprimento. 200 m é o limite da categoria IV, mas a tensão pode estourar antes: com 0,75 mm² a 55 °C, o spur de classe A para em 193,7 m.
  • Calcular com o cabo frio. A resistência cresce cerca de 14 % entre 20 °C e 55 °C; o spur que passa no escritório reprova no pipe rack ao sol.
  • Ligar dispositivo classe C em porta classe A. A porta A não garante a tensão nem a corrente de que ele precisa; a combinação é proibida pela Tabela 4-5.
  • Dimensionar a fonte do armário pelo consumo nominal do switch vazio. Cada porta usada soma de 1 a 2 W; com 24 portas, a diferença passa de 20 W.
  • Em área classificada, esquecer que o nível do segmento é o da porta menos rigorosa. Dispositivo Ex ia em porta Ex ic resulta num segmento Ex ic.

Perguntas frequentes

Qual o comprimento máximo de um spur Ethernet-APL?

Até 200 m em cabo de categoria IV, menos em categorias inferiores (50, 100 e 150 m). Mas o limite pode ser a tensão, e não o comprimento: com cabo fino e quente, o spur para antes dos 200 m.

Qual a diferença entre as classes A e C?

A classe C entrega mais potência ao dispositivo (11,61 V e 95 mA garantidos na porta, contra 9,6 V e 55,56 mA da classe A). Uma porta C alimenta dispositivos A e C; uma porta A só alimenta dispositivos A.

E o trunk APL alimentado?

O Engineering Guideline v1.14 declara que não há esquema de cálculo publicado para o trunk alimentado e remete ao fabricante. Esta ferramenta cobre a estrutura vendida hoje: Ethernet industrial até field switches com alimentação local.

A carga de rede APL costuma ser problema?

Raramente em aplicações de processo. Pelo exemplo do guideline, 50 sensores a 200 ms ocupam 1,76 % de um link de 10 Mbit/s. O que pesa é ciclo muito curto ou payload grande.

O que é o 2-WISE?

O conceito de segurança intrínseca da IEC TS 60079-47 para spurs Ethernet-APL. Com fonte, carga e auxiliares 2-WISE e cabo dentro das faixas de R, L e C, o spur é intrinsecamente seguro sem cálculo de parâmetros de entidade — basta o documento descritivo.

Glossário

Spur
Ligação ponto a ponto entre uma porta do field switch e um dispositivo de campo, com até 200 m.
Field switch
Switch de campo que converte Ethernet industrial em portas APL e alimenta os dispositivos pelos próprios spurs.
Classe de potência
Faixa de tensão e corrente que uma porta APL garante (fonte) ou exige (carga), como A e C.
2-WISE
Conceito de segurança intrínseca da IEC TS 60079-47 para spurs Ethernet-APL.
10BASE-T1L
Camada física IEEE 802.3cg — 10 Mbit/s full duplex num único par, até 1 000 m.