Hidráulica

Coeficientes de perda de carga localizada (K)

Coeficientes K de referência para o método da altura de velocidade no cálculo de perdas localizadas em acessórios, válvulas, entradas e saídas — os valores por trás da contagem de acidentes nas calculadoras de bombeamento do LOGOS.

O método da altura de velocidade

Todo acessório, válvula, entrada ou saída perturba o escoamento e dissipa energia além do atrito do tubo reto. A forma clássica de contabilizar é o coeficiente K (coeficiente de resistência): a perda de cada acidente é um múltiplo da altura de velocidade,

h_loc = K · v²/(2g)

onde v é a velocidade média no tubo em que o acessório está instalado e g = 9,81 m/s². Para uma linha, somam-se os coeficientes: h_loc,total = ΣK · v²/(2g) — exatamente como as calculadoras do LOGOS consomem a contagem de acidentes que você informa por trecho.

Lendo a tabela

Os K abaixo são valores únicos representativos para água limpa e válvulas totalmente abertas — adequados ao dimensionamento preliminar e à grande maioria das linhas de utilidades. Três pontos de atenção:

  • Raio curto vs raio longo importa mais que o ângulo. Um cotovelo 90° de raio curto (K = 0,9) perde mais que o dobro de uma curva 90° de raio longo (K = 0,4).
  • O estilo da válvula é uma escolha de ordem de grandeza. Gaveta 0,2; retenção 2,5; angular 5; globo 10 — o tipo de válvula muda a perda localizada por um fator de 50.
  • Entradas e saídas são geometria, não equipamento. A entrada de borda (reentrante) dobra a perda da entrada normal (1,0 vs 0,5); a saída sempre custa uma altura de velocidade inteira.

K, comprimento equivalente e Cv

Os fabricantes publicam a mesma física em três moedas. O K aplica-se direto à altura de velocidade. O comprimento equivalente (Le/D) converte o acessório em metros fictícios de tubo reto — cômodo na conta manual, mas acopla silenciosamente a perda do acessório ao fator de atrito do tubo. O coeficiente de vazão Cv (ou Kv) expressa capacidade a uma queda de pressão de referência e é o padrão para válvulas de controle. Para válvula de controle dimensionada, pule o K e use o método do Cv — é o que as calculadoras de válvula de controle do LOGOS fazem.

Coeficientes K de perda localizada para acessórios e válvulas

Acessório / válvulaK (–)
Cotovelo 90°0,9
Cotovelo 45°0,4
Curva 90°0,4
Curva 45°0,2
Entrada normal0,5
Entrada de borda1
Saída de canalização1
Expansão (alargamento)1
Redução (estreitamento)0,5
Válvula de gaveta (aberta)0,2
Válvula globo10
Válvula angular5
Válvula de retenção2,5
Válvula de pé com crivo1,75
Junção0,4
Tê de passagem direta0,6
Tê de saída de lado1,8
Tê bilateral1,8

Valores únicos representativos para dimensionamento preliminar, como usados pelas calculadoras hidráulicas do LOGOS. Para acessórios críticos, use o K ou Cv do fabricante.

Normas e métodos

  • Crane TP-410 (método)
  • Idelchik (método)
  • Darcy-Weisbach

Perguntas frequentes

Por que a válvula globo tem K = 10 e a gaveta 0,2?

Geometria. A gaveta totalmente aberta deixa uma passagem quase reta, enquanto a globo força o escoamento por duas curvas de 90° e uma sede anular mesmo aberta. É o preço da boa capacidade de estrangulamento: a globo controla bem e perde muito; a gaveta perde pouco e controla mal.

Os valores de K dependem do diâmetro?

A rigor sim — o K de acessórios geometricamente semelhantes cai um pouco com o tamanho e com o Reynolds. Tabelas de valor único como esta são a aproximação aceita para projeto preliminar. Em linhas grandes ou críticas, use o dado do fabricante (K, Cv ou comprimento equivalente).

Qual a diferença entre K e comprimento equivalente (Le/D)?

Duas codificações da mesma perda: K entra direto em h = K·v²/2g, enquanto Le/D converte o acessório em metros de tubo reto via Le = K·D/f. O comprimento equivalente parece cômodo, mas amarra a perda do acessório ao fator de atrito do tubo, que muda com rugosidade e Reynolds — o método K é mais limpo.

Quando as perdas localizadas dominam o cálculo?

Em trechos curtos e cheios de acidentes — barriletes de sucção, interligações de equipamentos, casas de bomba. Como regra prática, com comprimento reto abaixo de ~50 diâmetros o termo ΣK costuma pesar mais que o atrito distribuído e merece mais atenção que a escolha da rugosidade.

A saída de canalização tem sempre K = 1,0?

Descarregando em tanque ou atmosfera, sim: toda a altura de velocidade se perde, então K = 1,0 independentemente do formato da borda. É um dos termos mais esquecidos na verificação de NPSH da sucção.

Use estes valores numa calculadora

Mais tabelas de referência